Tag: violencia
Tão perto, tão longe
Por John Snow em Out.30, 2009, Categoria John Snow Brasil, Meio Ambiente, Responsabilidade Social
No país dos contrastes, o jovem brasileiro vive uma situação paradoxal nas periferias. Nos rincões de pobreza, ele se perde frequentemente, seja para a violência ou para as drogas. Mas é ali também que ele encontra o resgate da marginalidade e da falta de perspectiva por meio do trabalho social sério de organizações não governamentais e instituições. Elas fazem o que os governos deveriam fazer e não o fazem.
Recentemente, nos combates entre favelas do rio, o país perdeu um dos promotores sociais do AfroReggae, que trabalhava justamente em programas voltados para a juventude carente. Evandro João da Silva tirava jovens do crime por meio da música. E morreu porque foi até a favela, conviveu com a comunidade e foi vitima do descaso da polícia enquanto agonizava. Da mesma forma que tantos moradores, grande parte dos jovens, também são. A morte chamou atenção para uma guerra há muito conhecida e há muito mais tempo ignorada ou tratada como um problema crônico e sem solução. Na verdade, é crônico, mas tem solução e ela é aproveitada por toda a sociedade.
Na última sexta-feira, publicamos uma reportagem que mostra o quanto o investimento em projetos sociais voltados para a juventude carente traz benefícios, inclusive econômicos, para a comunidade. Segundo pesquisa de uma consultoria americana, a sociedade ganha o dobro quando investe em ações como o Programa Jovem de
Expressão – que oferece oficinas artísticas e culturais para adolescentes de Sobradinho 2 e Ceilândia. Um ótimo exemplo, que ainda esta no patamar das exceções em meio ao abandono geral dos jovens carentes do Brasil.
Se agora a violência nas periferias está em debate e ganha tanto destaque, inclusive no exterior, é por causa das Olimpíadas e da copa do Mundo. Esse eco da violência deveria ressoar, no entanto, todo o tempo, em todo lugar, no ouvido dos políticos que se preparam apara a campanha eleitoral. Primeiro, porque silenciar sobre essa situação é desprezar a juventude e seu futuro, um erro estratégico para todo o país que se pretenda grande. Segundo, porque o rio não padece sozinho, então o problema deve ser discutido em larga escala. Num levantamento recente feito pela editoria de Cidades e publicado aqui, mostramos a violência contra os jovens está se alastrando, beirando as escolas. Relatamos que 60 jovens abordados já tinham sido assaltados nas proximidades de escolas. Relatamos que os 60 jovens abordados já tinham sido assaltados nas proximidades de escolas do Plano Piloto. Só mais um exemplo de que as vitimas jovens estão em todo o lugar.
Fonte: Editorial do Correio Braziliense, por Ana Dubeux no dia 25 de outubro de 2009.