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O que é uma empresa sustentável? A empresa que você trabalha é sustentável?
Por John Snow em Nov.06, 2009, Categoria Responsabilidade Social
Essa pergunta tem sido feita tanto pela comunidade como pelos gestores. Sustentável ainda, na nossa geração, é um conceito em construção. Abaixo destaco pontos relavantes desse conceito, pontos esses abordados nas edições da revista.
PRATICAR A SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL PENSANDO NA CONTINUIDADE DO NEGÓCIO
A sustentabilidade vem se difundido e se intensificando no ambiente corporativo, apesar do conceito ainda não estar totalmente formado, o termo já começa a fazer parte da pauta das reuniões e do planejamento estratégico da maioria das empresas.
A tendência normal de qualquer atividade empresarial pressupõe a geração de resultados satisfatórios ao negócio e aos investidores. O lucro é necessário e deve ser buscado sempre pelas empresas, além de ser visto como uma espécie de combustível que permite alcançar os objetivos e a missão. Além deste contínuo objetivo econômico, novos fatores passam a compor a diretriz estratégica das empresas, visto que a geração de empregos e o recolhimento de impostos não são mais suficientes para manter sua responsabilidade junto à sociedade.
Neste cenário que vem se formando, muitas corporações estão direcionando recursos ou realizando grandes investimentos nas questões socioambientais. Essas atitudes nos ficam evidente quando acessamos a maioria dos sites empresariais e lá encontramos um ícone, uma reportagem ou mesmo um extenso programa dos projetos sociais e ambientais que as empresas desenvolvem. Mas… Qual a real finalidade desses projetos? Trazem mesmo retornos sociais e/ou ambientais? São instrumentos de marketing para agradar o público consumidor? Visam apenas aumentar o número de páginas do balanço social? Enfim, efetivamente, está se trabalhando na sustentabilidade do negócio, da comunidade e do meio ambiente?
A sustentabilidade empresarial, definida pelo Instituto Ethos, consiste em: “assegurar o sucesso do negócio no longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade, com um meio ambiente saudável e uma sociedade estável”. Neste intuito, as corporações necessitam agregar novas idéias e trabalhar dentro de uma nova realidade. Aspectos como responsabilidade social, desenvolvimento limpo, gestão ambiental e ética empresarial começam a ser temas recorrentes no mundo dos negócios e passam a fazer parte das definições estratégicas e da visão de negócio das organizações. As empresas necessitam contribuir efetivamente para uma evolução socioambiental, pois passam a serem vistas como importantes agentes locais para a promoção do desenvolvimento sustentável, contribuindo diretamente para os aspectos econômicos e sociais da comunidade. O conceito de sustentabilidade é baseado no tripple bottom line, ou tripé da sustentabilidade e visa atingir efetivos resultados em três dimensões: econômico, social e ambiental. Este posicionamento empresarial é cada vez mais valorizado por seus stakeholders (acionistas, colaboradores, clientes e a própria comunidade).
Uma nova visão passa a ser um fator determinante para o sucesso das empresas, pois estimula a capacidade de interação e integração com o meio, com a localidade, pois a empresa não está sozinha, ela faz parte de uma sociedade. Estes aspectos começam a ser vistos como diferenciais competitivos em um futuro que já está chegando.
Outro termo que começa a ser utilizado é o de cidadania corporativa. O objetivo principal é definir um padrão de conduta ética em relação aos funcionários, à sociedade e ao meio ambiente. A elaboração de programas que visam implantar políticas internas e externas nesta área também faz parte da governança corporativa. As ações sociais e o voluntariado são estimulados junto aos colaboradores o que propicia um maior comprometimento com a empresa, gerando satisfação pessoal e aumento da produtividade. O marketing social ganha destaque, pois vem se apresentando como uma ferramenta eficaz na divulgação dessas ações. Os consumidores, que estão cada vez mais exigentes e adotando uma postura diferenciada, também querem interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional e que atuem de forma responsável, assim um novo conceito visando à perenidade do negócio deve ser incorporado, o conceito de empresa cidadã.
A responsabilidade socioambiental não deve se limitar a ações isoladas, que poderiam até ser intituladas como “boas ações” ou até mesmo de filantropias. Uma corporação que adota a estratégia de sustentabilidade para o seu negócio, rompe as limitações lucrativas de curto prazo e estabelece um planejamento sistêmico relacionado aos aspectos internos e externos do negócio. Pensar somente no lucro, como já foi dito, é premissa básica para a existência de qualquer negócio. No âmbito interno, as empresas necessitam absorver o conceito de sustentabilidade também no seu processo de produção. Uma corporação sustentável deve avaliar o seu processo produtivo, ampliar sua visão para toda a cadeia do processo e buscar fornecedores comprometidos e também responsáveis, além de encontrar alternativas para os resíduos gerados na produção e para o destino final das embalagens descartadas pelos consumidores. Uma corporação sustentável estimula o processo criativo de seus colaboradores e busca constantemente encontrar soluções produtivas e matéria-prima com o menor impacto social e ambiental possível. Buscar a sustentabilidade nos processos produtivos não deve ser vista como uma obrigação para atender uma legislação ou um ato de responsabilidade isolado, mas sim como uma nova oportunidade para o negócio.
No âmbito externo, o mercado de uma forma geral já está questionando uma nova postura de avaliação e de estruturação do processo produtivo. Um reflexo desta tendência já começa a se refletir nos empréstimos junto a instituições financeiras, onde começam a ser avaliadas as influências dos processos empresariais e de suas políticas e ações com responsabilidade ambiental e social. Empresas com processos produtivos sustentáveis terão taxas de juros mais atrativas. No mercado de ações, com a tendência para investimentos socialmente responsáveis, os investidores buscam empresas sustentáveis e rentáveis para aplicar seus recursos. Observando a ascendência deste mercado a BOVESPA criou, em dezembro de 2005, o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, o principal objetivo foi criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade atual e estimular a responsabilidade ética das corporações. Utilizado sob um aspecto de sustentabilidade corporativa, este indicador é uma ferramenta para a elaboração de análises comparativas da performance das empresas emissoras das ações mais negociadas na BOVESPA. O indicador é baseado na eficiência econômica, no equilíbrio ambiental, na justiça social e na governança corporativa. Enfim o desafio por uma sustentabilidade empresarial se faz possível e necessário.
Fonte: Blog Revista Geração Sustentável
Responsabilidade Socioambiental Corporativa, uma experiência do Grupo Caixa Seguros
Por John Snow em Out.22, 2009, Categoria Meio Ambiente, Responsabilidade Social
O Grupo Caixa Seguros está interessado em saber se o seu público com quem se relaciona é responsável. A empresa, em parceria com o Instituto Akatu, aplicou um teste para impulsionar as estratégias do programa ambiental da instituição. “Entender nosso público interno, enquanto consumidor, é fundamental para que possamos fortalecer a prática do consumo consciente dentro e fora da companhia”, afirma a superintendente de comunicação corporativa da seguradora, Sany Silveira. A pesquisa levou em conta se a pessoa consulta rótulos de embalagens no supermercado, evita desperdícios, compra produtos reciclados, e apaga as luzes de cômodos vazios.
Em entrevista exclusiva ao Responsabilidade Social.com, Silveira fala das ações socioambientais da empresa e como a companhia, a primeira do setor a compensar as emissões de carbono de suas empresas, tem se destacado como um grande investidor na promoção da sustentabilidade do planeta e na luta contra o aquecimento global. Confira.
1) Responsabilidade Social – Como surgiu a idéia de traçar o perfil dos hábitos de consumo do público interno e externo da Caixa Seguros e quais as medidas que a empresa tomará a partir das informações levantadas?
Sany Silveira – O Grupo Caixa Seguros sempre avalia o impacto dos programas desenvolvidos e desde a elaboração do “Programa Ambiental” uma das estratégias utilizadas para mensurar os resultados foi a aplicação do “Teste do Consumidor Consciente”. O teste foi aplicado antes de implantarmos todas as atividades do programa ambiental e após um ano aplicaremos de novo. Assim, poderemos verificar se as atividades realizadas contribuíram para fortalecer os conhecimentos e a prática dos colaboradores em prol do consumo consciente.
2) RS – De que forma o estudo poderá fortalecer o programa ambiental do Grupo?
SS – O programa foi elaborado com a participação de todos os colaboradores. Isso contribui para que a meta seja alcançada. Ao nos associarmos ao Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, tivemos a possibilidade de aplicar o teste e receber um relatório específico com informações do perfil de consumo dos nossos colaboradores. O resultado nos mostrou que temos um grande desafio em fazer com que os colaboradores da companhia tenham a prática do consumo consciente em seu cotidiano.
3) RS – Como a Caixa Seguros tem investido na promoção da sustentabilidade do planeta? De 2007 para cá, que ações a empresa desenvolveu na área?
SS – Sempre tivemos um forte compromisso com a saúde do planeta e com a comunidade, e esse compromisso vem se materializando mais a cada dia. Fomos a primeira empresa do mercado segurador a compensar por meio do plantio de árvores, na Mata Atlântica, as emissões de carbono da companhia, em parceria com a OSCIP Iniciativa Verde. O “Programa Carbono Seguro” é um dos primeiros do mundo a criar reservas de carbono em áreas destinadas à pecuária leiteira na Mata Atlântica.
Outro orgulho é que em 2009 a presidência do grupo inseriu nos objetivos anuais das diretorias as metas socioambientais com foco na redução das emissões de CO2 da companhia. Consideramos um avanço o resultado das metas ambientais no 1° trimestre, de 2009, pois reduzimos as emissões geradas nas operações do grupo em 8%.
4) RS – Quais são as iniciativas tomadas em prol da comunidade?
SS – Acredito que o nosso programa social, o ‘Jovem de Expressão’, tem apresentado resultados significativos nas duas comunidades carentes do DF em que atua (Ceilândia e Sobradinho II). O programa, lançado em outubro de 2007, tem como foco a promoção da saúde de jovens de 18 a 24 anos. Lá, eles encontram oportunidades e caminhos alternativos para entrar no competitivo mercado de trabalho e ficam cada vez menos expostos à violência.
5) RS – O que a senhora entende por “responsabilidade social”?
SS – Gosto muito da definição do Ethos sobre responsabilidade social empresarial. Acredito que responsabilidade social diz respeito à gestão praticada pelas instituições ou corporações pautada na relação ética e transparente com todos os públicos que fazem parte de seu relacionamento. A lógica que deve também estar presente nessa relação é a do cuidado, do respeito e da co-responsabilidade, porque dessa forma cuidaremos no presente para garantir qualidade de vida para todos e para o planeta.
6) RS – Qual o significado do movimento da responsabilidade social para o terceiro maior grupo segurador do país?
SS – Faz parte da missão do Grupo Caixa Seguros garantir tranquilidade no presente e qualidade de vida no futuro para as famílias brasileiras. A forma que podemos vivenciar essa missão é por meio da participação ativa do movimento da responsabilidade social. Nosso compromisso é muito forte, tanto que o grupo aceitou o convite do Ethos e é o articulador do “Programa Rede Empresarial Pela Sustentabilidade” no DF. Esse programa realiza reuniões mensais, onde representantes de empresas, academia e ONGs se encontram para trocar experiências e aprofundar os conhecimentos sobre o desenvolvimento sustentável e a gestão socioambiental estratégica. Acredito que com a participação nesses espaços a empresa contribui para que o movimento da responsabilidade social fique mais forte.
7) RS – A Caixa Seguros esteve sólida financeiramente diante da crise econômica? A turbulência afetou os investimentos da empresa na área social?
SS – O grupo dá o mesmo tratamento ao investimento social privado que dá aos seus produtos comerciais. Sendo assim, o compromisso assumido com a sociedade por meio da realização do Programa Jovem de Expressão não será afetado por que existe uma definição orçamentária anual para investir no programa.
8 ) RS – Qual o peso das questões climáticas e ambientais nas tomadas de decisão do grupo?
SS – A Caixa Seguros constituiu um grupo de estudos sobre o impacto das mudanças climáticas na estratégia da companhia. Para nivelar o conhecimento de todos, realizamos um workshop na empresa. Na ocasião, especialistas da OSCIP Iniciativa Verde, Câmara Temática de Energia e Mudança do Clima e da Câmara Temática de Finanças Sustentáveis – Clima Tempo – falaram sobre as influências sofridas em função das mudanças climáticas.
9) RS – Quais os maiores desafios que a sustentabilidade traz para a empresa?
SS – Para que os aspectos da sustentabilidade (equilíbrio econômico, ambiental e social) façam parte da dinâmica empresarial o maior desafio é disseminar o conhecimento e sensibilizar o corpo funcional para garantir que esses aspectos sejam levados em consideração na gestão da corporação no cotidiano.
10) RS – Na sua avaliação, por que as empresas hoje querem ser socialmente responsáveis?
SS – As empresas entenderam que todos saem ganhando ao praticar a responsabilidade socioambiental. Ganha a empresa por ser referenciada no assunto e ter colaboradores engajados e orgulhosos com a postura da corporação. Ganham os stakeholderes que acabam se influenciando e influenciando as atividades de RSA das corporações; e ganha o planeta porque uma empresa socioambientalmente responsável sabe que incorporar a lógica do cuidado nas suas atividades estratégicas interfere realmente na saúde do nosso planeta.
12) RS – Para a senhora, todo esse movimento de responsabilidade social empresarial é oportuno? Ou oportunista?
SS – O movimento de responsabilidade social empresarial é muito mais que oportuno. Ele é estratégico. As corporações entenderam que não basta seguir a legislação. É necessário fortalecer princípios como a ética, o respeito e a transparência na sua dinâmica empresarial.
Fonte: http://www.responsabilidadesocial.com/article/article_view.php?id=911