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O Real Valor das Pontes de Cidadania
Por John Snow em Abr.05, 2010, Categoria Avaliação de Impacto
“A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento”
Lenine
Em todo o mundo, investimentos em infra-estrutura, principalmente pública, são analisados sob a ótica do seu retorno econômico e social. Isso porque muitos desses empreendimentos contribuem para geração de riquezas para a sociedade e país, sem necessariamente serem auto-suficientes. Sendo assim, não precisam de fluxo de caixa ou a criação de entidades específicas para a coleta de recursos financeiros.
Para compreender melhor esse enfoque, faz-se necessário explicitar a diferença entre retorno financeiro e econômico de novos investimentos. Por exemplo, qual o valor econômico da construção de uma nova ponte? Sabemos que a ponte reduz distâncias e melhora o fluxo humano entre duas localidades com algum tipo de interferência natural entre elas, como rios e acidentes geográficos.
Logicamente, não faria sentido pensar na auto-sustetação financeira de todas as pontes do planeta. Caso contrário teríamos que criar algum mecanismo de coleta financeira, como seriam no caso do pedágio. No entanto, diferentemente da lógica financeira, a ponte atinge sustentabilidade quando conseguimos atribuir valores econômicos e sociais para sua existência. No caso de valor econômico, o mais importante seria o uso mais eficiente de recursos, como diminuição de uso de combustíveis e maior produtividade na produção e comercialização de produtos.
Não há nenhum investimento em infra-estrutura sério que não faça um estudo de valoração e de seus ganhos econômicos. No caso das pontes, não é diferente. Ou seja, somente a existência da ponte já torna o empreendimento sustentável sob a ótica econômica. Sendo assim, diversos empreendimentos que não poderiam ser considerados viáveis pela ótica do retorno financeiros, atingem sustentabilidade econômica.
Esses empreendimentos também podem ser muito importante para o fortalecimento de redes sociais e redução da pobreza. Novamente, no caso das pontes, populações isoladas poderão te acesso a novos bens e serviços públicos. Além disso, o intercâmbio educacional pode ser aprimorado contribuindo para o desenvolvimento humano e comunidades mais equitativas.
Como funciona a geração de riquezas econômicas no caso dos programas sociais?
Esse raciocínio não é diferente para o caso dos programas sociais. Muitos pensam que a sustentabilidade de um programa social, como promoção da redução da violência entre jovens, é atingida com o financiamento contínuo de doadores diversos. Com certeza, o recursos financeiro é muito importante para alavancar um programa social, mas seria inviável taxar os jovens de programas sociais para atingir a auto-sustentação.
Basicamente, programas sociais podem ser considerados PONTES para a cidadania. Com a mudança de conhecimento, atitudes e práticas sociais de jovens em relação a violência, teremos uma sociedade mais produtiva, com reflexos na renda familiar e redução das perdas humanas e do patrimônio público. Isso além de criar condições para o fortalecimento do capital social ou redes humanas transformadoras.
Em Brasília, um estudo de avaliação de impacto social realizado pela JohnSnowBrasil Consultoria e financiado pela Caixa Seguros em colaboração com o Grupo Azulim e Mismec demonstrou que para cada R$1,00 investido no programa Jovem de Expressão (com objetivo de reduzir a violência entre jovens), projetou-se a geração de renda econômica de R$1,87 em valores presentes. Essa projeção tomou como base a constatação de que um jovem menos violento é efetivamente mais produtivo e gera mais renda para sua família e comunidade.
Esse mesmo raciocínio pode ser ampliado para programas com idosos, mulheres vítimas de violência doméstica, melhoria das condições de ensino, etc. Ou seja, social não é somente custo, nem gasto, é um grande investimento.
Uma das principais dificuldades para a valoração de programas sociais é exatamente aplicar esses conceitos de forma objetiva e concreta e apresentá-los para a sociedade. Como alguns desses conceitos necessitam de modelos de pesquisa comportamental, análises estatísticas e aferições econômicas e sociais, muitos programas não estão preparados para aplicá-los. Sendo assim, tornam-se reféns do dados de produção, como o cálculo de número de usuários, satisfação, etc.
Tomando novamente a analogia da ponte, seria como apresentar para a sociedade que temos uma linda PONTE com fluxo considerável de usuários, mas sem a demonstração efetiva de como esse fluxo contribui efetivamente para a geração das riquezas econômicas e diminuição das diferenças sociais. As organizações sociais têm que se preparar, cada vez mais, para a demonstração de como gerão essas riquezas para a socidade. Isso em função do capital financeiro estar em ciclos mais especulativos do que de investimentos.
Artigo de Miguel Fontes, Publicado no Fórum de Marketing Social www.marketingsocial.com.br
Avaliação de projetos cresce, mas precisa de qualificação
Por John Snow em Mar.22, 2010, Categoria Avaliação de Impacto
Matéria publicada na Rede Gife, 22 de março de 2010
Causou surpresa, na última semana, uma pesquisa da Fundação Itaú Social com o Instituto Fonte que traçou um panorama da avaliação de projetos nas organizações sociais no Brasil. Segundo o estudo, 91% das organizações avaliaram projetos nos últimos cinco anos, sendo que 26% destas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto.
Elaborado em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e a realização do IBOPE Inteligência, o levantamento mostrou uma mudança de comportamento das organizações. Afinal, há pouco menos de dez anos, esse percentual era ínfimo.
Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, o estudo revela que houve uma mudança de paradigma. “No passado, realizar a ação social bastava, não se dava importância em avaliar os resultados de seus próprios projetos. Isso mudou”, diz.
A imagem otimista também transparece para profissionais do Instituto Fonte, como Daniel Brandão, um dos responsáveis pela pesquisa. “Ela mostrou que nos últimos anos, a avaliação saiu do debate e foi para a prática”, acredita.
No entanto, Brandão lembra que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. Quando os dados são esmiuçados, mostra-se que, desses 91% que avaliaram, 85% fizeram esse trabalho internamente. Apenas 22% delegaram a tarefa a equipes externas à organização – isto é, a pessoas não relacionadas com as ações a serem analisadas.
Na mesma linha, os dados sobre a motivação mostram que ainda há espaço para amadurecimento. Apenas 26% das ONGs ouvidas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto; 33% delas veem a iniciativa como ferramenta de promoção de seus projetos, 18% como obrigação formal e burocrática e 23% como desperdício de tempo e de recursos.
Segundo Daniel Brandão, estes dados mostram os pontos de intervenção a serem atingidos. “Atuar para fortalecer o sentido e a utilidade da avaliação junto a essas organizações é fundamental para ampliar a potência desta atividade na gestão estratégica do campo social”, afirma.
Faz sentido, se avaliar é estratégico ao apoiar a gestão e a tomada de decisões, ajudar a corrigir rumos, identificar erros e acertos, verificar a realização de objetivos, mostrar resultados no público do projeto e gerar credibilidade, tratá-la como mero instrumento burocrático é incorrer em um erro dramático.
Para Antonio Matias, o fortalecimento da cultura de avaliação no Brasil é essencial para que as avaliações sejam usadas como instrumentos de gestão e possam aprimorar os investimentos sociais. É também uma forma de dar transparência e eficiência ao uso dos recursos. “Quanto mais avaliarmos as políticas e os programas sociais de organizações privadas, ONGs e governos, melhor preparados estaremos para enfrentar adequadamente os desafios sociais do país”, afirma.
Os principais desafios apontados pelos que avaliam projetos são, nessa ordem, a construção de indicadores, o envolvimento dos públicos do projeto na avaliação, o desenvolvimento de instrumentos, a coleta de informações, a análise dos resultados e a captação de recursos.
Abrangência nacional
A pesquisa teve abrangência nacional, sendo representativa do universo das organizações da sociedade civil brasileira. Foram realizadas 363 entrevistas eletrônicas no período de julho a setembro de 2009. Os resultados ponderados mostram a seguinte representação geográfica: 53 % da Região Sudeste; 21% da Região Sul; 14% da Região Nordeste; 8% da Região Centro Oeste e 4% da Região Norte.
Com relação ao tipo de atuação observa-se que 58% das organizações atuam somente com a execução de projetos, 40% com execução e financiamento e 2% somente com
financiamento.
A íntegra da pesquisa está disponível nos sites www.fundacaoitausocial.org.br e www.institutofonte.org.br