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Benefícios da Sistematização de Tecnologias Sociais

Por John Snow em Nov.26, 2009, Categoria John Snow Brasil, Responsabilidade Social

A John Snow Brasil acaba de assinar um contrato de consultoria com o SESI Departamento Nacional, para sistematizar a tecnologia social da Ação Global.

 Leia mais no artigo a seguir sobre tecnologias sociais e as vantagens de sua sistematização:

Escrito por Mariann Tóth   

Neste breve artigo partimos da definição de tecnologia social como sendo o conjunto de processos, métodos, técnicas, instrumentos e procedimentos sistematizados que possam melhorar a efetividade de intervenções sociais.

Ou seja, metodologias com impacto social comprovado que promovam a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida da população.

É comum vermos organizações e instituições, inclusive reconhecidas pela sua atuação na área social, promoverem intervenções pontuais sem eficácia comprovada e sem processos de replicação facilitados, como sendo “tecnologias sociais”. Esses projetos e programas atendem somente uma parcela pequena de uma realidade específica, e não conseguem transcender suas dimensões locais, por não serem sistematizados dentro de um conjunto sólido que possa potencializar seus benefícios.

Para atender as demandas do mercado social e oferecer soluções integradas e sustentáveis, é essencial combinar essas iniciativas de forma a garantir sua qualidade e impacto. Por isso, sistematizar uma tecnologia social significa padronizar seus processos; formatar as experiências aplicadas com resultado positivo aferido; e, por fim, aumentar a efetividade de seus processos, serviços e produtos relacionados à satisfação das necessidades sociais identificados. A sistematização de tecnologias sociais é fundamental para o seu fortalecimento e sustentabilidade, pois sua reaplicação planejada pode solucionar problemas estruturais graves com pouco investimento adicional, já que uma vez formatadas e comprovadas, as tecnologias podem ser reaplicadas em diversos contextos sociais e culturais.

Os principais benefícios para uma entidade, privada ou pública, que invista na criação e sistematização de tecnologias sociais, é o ganho na qualidade de sua intervenção, que gerará visibilidade, reconhecimento e a padronização de seus processos. A sistematização de iniciativas facilita a reaplicação das mesmas, por parte de entidades sociais variadas, como fundações empresariais, ONGs, e órgãos governamentais executores, que tenham demandas semelhantes àquelas identificadas e atendidas pelas atividades e que possam ter interesse em replicar a tecnologia social e seus benefícios para a sua população. Além disso, fortalece a iniciativa desenvolvida como sendo uma tecnologia de investimento social de interesse institucional e desenha possíveis ações a serem desenvolvidas para potencializar o impacto e a continuidade das ações da iniciativa.

Além dos benefícios diretos para a população atendida, o fortalecimento de tecnologias sociais também tem conseqüências positivas para os diversos grupos de  stakeholders de um negócio. Uma ação ou programa sistematizado possibilita uma comunicação mais eficiente e estratégica junto a cada uma das partes interessadas, assim como os potenciais investidores e parceiros. Para começar, os funcionários ganham padrões e procedimentos internos e técnicos estabelecidos e claros. Os acionistas conquistam uma maior visibilidade da organização e das ações realizadas, gerando maior custo-efetividade e custo-benefício. Com relação aos clientes, se aumenta a percepção da confiança e sua fidelização, ao passo que com relação à comunidade, geram-se impactos positivos com relação à equidade e à melhoria no acesso aos serviços. Os fornecedores passam a ter maior clareza sobre padrões e procedimentos estabelecidos. Por fim, o governo e sociedade como um todo lucra com o aumento do custo-benefício de ações e com o fortalecimento de políticas públicas.

No mercado social existem diversas estratégias para sistematizar ações da área social. A maioria delas baseia-se no registro dos processos dentro de uma ordem lógica e a manualização desses processos que possibilite a comunicação fácil e didática de seus processos, desafios e possíveis impactos. Para que uma ação ou projeto seja consolidado como tecnologia social, é necessário realizar determinados componentes de trabalho seguindo uma linha lógica baseada na análise situacional do contexto no qual serão realizados. Os componentes abarcam ações como a realização de levantamento de necessidades e demandas da realidade do público; definição dos componentes programáticos da intervenção, elaboração de estratégias de Informação, Educação e Comunicação, empacotamento (formatação) das tecnologias sociais; e, por fim, a comunicação do conjunto de tecnologias em formatos se fácil compreensão e reaplicação, variando de DVDs a manuais impressos. Esses materiais impressos ou eletrônicos podem ser apresentados às organizações parceiras como uma metodologia consolidada de investimento social e modelo para ser aplicado em contextos nos quais faltam serviços básicos de cidadania, saúde, educação.

Em suma, após um ciclo inicial de um programa social (planejamento-execução-avaliação), com dados concretos de impacto aferido em mãos, é essencial que se avance para a fase de sistematização dos componentes da intervenção que terá como principais vantagens tangíveis sua consolidação, padronização, qualidade, sua promoção e possibilidades de reaplicação que poderão proporcionar a ampliação dos impactos sociais alcançados.

*Coordenadora de Marketing Social da John Snow Brasil Consultoria, especialista em cooperação internacional pela Sociedad de Estudios Internacionales de Madrid e especialista em políticas sociais e gestão de ONGs pela Universidade de Brasília

Artigo publicado no dia 16 de julho de 2009 em MarketingSocial.com.br

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Sustentabilidade passa por comunicação responsável

Por John Snow em Nov.06, 2009, Categoria comunicacao

Por Newton Figueiredo

A forma como uma empresa se comunica com o consumidor revela o seu nível de sustentabilidade por meio da ética em suas propagandas. Em função da já identificada preferência dos consumidores por produtos e serviços socio ambientalmente responsáveis iniciou-se uma verdadeira ‘corrida maluca para o verde’, em que a ética, em muitos casos, foi deixada de lado, prevalecendo a falsidade ideológica, pela omissão de fatores essenciais de julgamento, e a propaganda enganosa.

O consumidor, cada vez mais informado (mas ao mesmo tempo bastante confuso em identificar genuinidade na verdadeira sustentabilidade), começa a identificar os seguintes tipos de empresas: as que parecem possuir sustentabilidade na sua essência, as que estão buscando o desenvolvimento sustentável de maneira genuína, as que estão aproveitando apenas a onda para parecerem verdes e as que não estão nem aí para o tema.

Ética na comunicação – Não é possível que uma empresa seja sustentável sem ter produtos sustentáveis e uma comunicação ética e responsável com seus consumidores. A preocupação em passar uma informação consistente, completa e transparente sobre a sustentabilidade do produto ou serviço, com credibilidade para o consumidor, é muito importante, especialmente no Brasil, que possui uma população preocupada com o aquecimento global e trocaria de fornecedor, se um produto fosse certificado com o objetivo de impactar menos as mudanças climáticas.

Estamos num momento de grandes mudanças e novas perspectivas. A crise reafirmou que as empresas precisam inovar a todo momento. Trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável é imprescindível.

Assim, 2009 será lembrado como, além do ano da recuperação econômica, o do avanço da abordagem da sustentabilidade. Porém, muito do que vimos ser propagado como iniciativa sustentável foi de fato o que podemos chamar de maquiagem verde e tanto foram as estratégias nesse sentido, que o que ocorreu foi uma verdadeira ‘corrida maluca para o verde’.

Corrida maluca – Entre os muitos casos nesta corrida maluca estão distorções como induzir os consumidores a acreditar que compensações de emissões de carbono, que irão levar 20 anos para ocorrer por meio do plantio de mudas de árvores, tornam produtos e serviços sustentáveis. Também propagandas de estímulo ao consumo de produtos agressivos à saúde somente por terem apenas a embalagem reciclável têm distorcido e deseducado o consumidor brasileiro.

Pesquisas mostram que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços que contribuem tanto para o bolso deles como para um mundo melhor. Só tem um detalhe: o consumidor, hoje incrédulo por tanta propaganda enganosa, somente pagará mais por produtos ‘verdes’ se ele estiver convencido que efetivamente contribuem para melhoria do planeta e da qualidade de vida.

Se a ‘corrida maluca para o verde’ dificulta a introdução de produtos e serviços verdadeiramente sustentáveis ela cria uma oportunidade ímpar para as empresas éticas se diferenciarem pela comunicação bem feita e responsável com o consumidor.

 

Fonte:  Terra – Economia e Sustentabilidade

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