John Snow

Tag: Avaliação de Impacto

Avaliação de programas de Investimento Social Privado

Por John Snow em Abr.13, 2010, Categoria Avaliação de Impacto, John Snow Brasil, Miguel Fontes

Por Miguel Fontes*

Na dia 09 de abril, participei da mesa sobre Avaliação do Congresso do GIFE no Rio de Janeiro. Primeiramente, devo parabenizar aos organizadores do Congresso pela coragem em manter o evento mesmo com as catástrofes amplamente divulgadas pela mídia em minha cidade natal. Com isso, os organizadores fizeram com que todos os participantes pudessem refletir sobre a verdadeira aplicabilidade de todos os esforços de investimento social privado no Brasil. Ou seja, como é importante a educação, a transparência na utilização dos recursos públicos, na erradicação da pobreza e na transformação dos conhecimentos, atitudes e práticas anti-sociais de toda a sociedade. Enfim, senti-me honrado em participar desse corajoso evento e contribuir de alguma forma para o fortalecimento das tendências positivas em relação a gestão social no Brasil.

Em relação ao tema de avaliação, pudemos constatar o grande interesse de todo o público sobre o tema. A sala reservada para o debate foi pequena para tantas pessoas que queriam de alguma forma absorver novos conhecimentos e reflexões sobre avaliação.

 Houve um esforço dos organizadores de apresentar o tema como algo que deve ser disseminado e ajustado a diversas realidades do investimento social privado no Brasil. Algumas das “provocações” feitas pelos organizadores, como “não ficar refém de processos avaliativos complexos”, pareciam buscar alternativas mais fáceis e baratas do uso de conceitos e ferramentas avaliativas no Brasil. No entanto, talvez tive que trazer alguns elementos que contestam um pouco essa hipótese. Processos avaliativos necessitam de competência técnica, um certo nível de ciência, aplicação e destreza na utilização de ferramentas avaliativas validadas internacionalmente (ex. Marco Lógico, escala de valores, pré-testes, modelos de análise estatística, definição de indicadores, etc.) e observância dos preceitos éticos (beneficência, não-maleficência, justiça e livre consentimento). Nesse sentido, somos sim todos um pouco “reféns” da linguagem avaliativa. Caso contrário, as intervenções podem cair em total descrédito e vistas pelo empresariado como apenas um fardo ou custo para as empresas.

 No entanto, o processo avaliativo deve ser encarado como um dos componentes essenciais de gestão social e não o componente mais importante. Aliás, o padrão internacional indica um valor orçamentário de 10% dos programas para avaliação. Ou seja, é um valor proporcional muito baixo e ninguém tentaria tirar a maior parte do recurso da implementação de programas e atividades para focar apenas no processo avaliativo. Na minha experiência profissional, esse valor pode variar de 7 a 14% do orçamento final do programa. Logicamente, outros componentes essenciais seriam o planejamento estratégico, o monitoramento, a execução e a administração financeira dos investimentos. Todos esses componentes necessitam de destreza e competência para que as intervenções obtenham grande sucesso. Por que no caso da avaliação isso seria diferente?

* Miguel Fontes é diretor da John Snow Brasil e PhD em Desenvolvimento de Alianças Público Privadas pela John Hopkins University. Colunista do Forum Brasileiro de Marketing Social www.marketingsocial.com.br

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John Snow Brasil no GIFE

Por John Snow em Abr.09, 2010, Categoria Avaliação de Impacto

Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil, foi palestrante no 6 Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado. Miguel participou da mesa temática sobre avaliação de impacto de projetos que teve como objetivo ressaltar metodologias e práticas de avaliação inovadoras, no contexto da realidade dos investimentos sociais privados realizados no Brasil. Confira a cobertura do evento em http://www.congressogife.org.br/

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Avaliação de projetos cresce, mas precisa de qualificação

Por John Snow em Mar.22, 2010, Categoria Avaliação de Impacto

Matéria publicada na Rede Gife,  22 de março de 2010

Causou surpresa, na última semana, uma pesquisa da Fundação Itaú Social com o Instituto Fonte que traçou um panorama da avaliação de projetos nas organizações sociais no Brasil. Segundo o estudo, 91% das organizações avaliaram projetos nos últimos cinco anos, sendo que 26% destas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto.

Elaborado em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e a realização do IBOPE Inteligência, o levantamento mostrou uma mudança de comportamento das organizações. Afinal, há pouco menos de dez anos, esse percentual era ínfimo.

Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, o estudo revela que houve uma mudança de paradigma. “No passado, realizar a ação social bastava, não se dava importância em avaliar os resultados de seus próprios projetos. Isso mudou”, diz.

A imagem otimista também transparece para profissionais do Instituto Fonte, como Daniel Brandão, um dos responsáveis pela pesquisa. “Ela mostrou que nos últimos anos, a avaliação saiu do debate e foi para a prática”, acredita.

No entanto, Brandão lembra que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. Quando os dados são esmiuçados, mostra-se que, desses 91% que avaliaram, 85% fizeram esse trabalho internamente. Apenas 22% delegaram a tarefa a equipes externas à organização – isto é, a pessoas não relacionadas com as ações a serem analisadas.

Na mesma linha, os dados sobre a motivação mostram que ainda há espaço para amadurecimento. Apenas 26% das ONGs ouvidas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto; 33% delas veem a iniciativa como ferramenta de promoção de seus projetos, 18% como obrigação formal e burocrática e 23% como desperdício de tempo e de recursos.

Segundo Daniel Brandão, estes dados mostram os pontos de intervenção a serem atingidos. “Atuar para fortalecer o sentido e a utilidade da avaliação junto a essas organizações é fundamental para ampliar a potência desta atividade na gestão estratégica do campo social”, afirma.

Faz sentido, se avaliar é estratégico ao apoiar a gestão e a tomada de decisões, ajudar a corrigir rumos, identificar erros e acertos, verificar a realização de objetivos, mostrar resultados no público do projeto e gerar credibilidade, tratá-la como mero instrumento burocrático é incorrer em um erro dramático.

Para Antonio Matias, o fortalecimento da cultura de avaliação no Brasil é essencial para que as avaliações sejam usadas como instrumentos de gestão e possam aprimorar os investimentos sociais. É também uma forma de dar transparência e eficiência ao uso dos recursos.  “Quanto mais avaliarmos as políticas e os programas sociais de organizações privadas, ONGs e governos, melhor preparados estaremos para enfrentar adequadamente os desafios sociais do país”, afirma.

Os principais desafios apontados pelos que avaliam projetos são, nessa ordem, a construção de indicadores, o envolvimento dos públicos do projeto na avaliação, o desenvolvimento de instrumentos, a coleta de informações, a análise dos resultados e a captação de recursos.
Abrangência nacional

A pesquisa teve abrangência nacional, sendo representativa do universo das organizações da sociedade civil brasileira. Foram realizadas 363 entrevistas eletrônicas no período de julho a setembro de 2009. Os resultados ponderados mostram a seguinte representação geográfica: 53 % da Região Sudeste; 21% da Região Sul; 14% da Região Nordeste; 8% da Região Centro Oeste e 4% da Região Norte.

Com relação ao tipo de atuação observa-se que 58% das organizações atuam somente com a execução de projetos, 40% com execução e financiamento e 2% somente com
financiamento.

A íntegra da pesquisa está disponível nos sites www.fundacaoitausocial.org.br e www.institutofonte.org.br

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