John Snow

Miguel Fontes fala sobre Doenças Raras no DF acontece

por John Snow em Fev.29, 2012, Categoria John Snow Brasil

Hoje é celebrado o Dia Mundial das Doenças Raras. Veja a entrevista gravada no DF Acontece sobre o assunto com Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil Consultoria .

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1º Salão da Acessibilidade, Reabilitação e Inclusão Social

por John Snow em Nov.07, 2011, Categoria John Snow Brasil

Não deixem de participar do 1º Salão de Negócios da Acessibilidade, Reabilitação e Inclusão Social. Evento que ocorrerá no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, nos dia 14 a 16 de novembro de 2011, das 10h às 22h. Seus objetivos são promover oportunidades de trabalho e renda direcionadas as demandas das pessoas com deficiência e a promoção de um debate com os indivíduos interessados sobre a inclusão social das pessoas com deficiência. Abaixo encontram se o banner e a agenda do salão.

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Palestra de Miguel Fontes sobre Marketing Social e qualidade de vida

por John Snow em Jun.20, 2011, Categoria John Snow Brasil, Miguel Fontes, investimento social privado, marketing social

Clique no link abaixo e assista a íntegra da palestra de Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil Consultoria, sobre Marketing Social e qualidade de vida  realizada na Associação Brasileira de Qualidade de Vida em junho de 2011.

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Tendências do Mercado Social na próxima década

por John Snow em Jan.10, 2011, Categoria marketing social

Falar sobre tendências é sempre mais fácil do que se fazer previsões. Vejo que para a próxima década, projeções se tornam ainda mais complexas em função das crescentes mudanças no perfil da sociedade brasileira. Estamos envelhecendo rapidamente e mudanças no estilo de vida continuam acentuadas. Aliás, essas são as únicas duas previsões que podemos efetivamente apostar todas as nossas fichas.

No entanto, no mercado social, não sabemos se os atuais níveis de investimento serão incrementados por empresas e se os setores governamental e social conseguirão se adequar a mudanças tão significativas. A tendência é que isso aconteça, mas com importantes limitações em termos de projeção, em diversos aspectos do desenvolvimento humano e sócio-ambiental no Brasil, incluindo níveis de investimento, capacitação de recursos humanos, intervenção estratégia de transformação social, avaliação e tipo de causas a serem financiadas.

Para os investimentos no mercado social, creio que orçamentos para redução de miséria e atividades mais assistencialistas deverão ter um aumento nos próximos quatro anos, mas a partir de 2014, esses investimentos serão reduzidos significativamente. Durante toda a década, o principal investimento será em projetos sociais que apresentam uma clara associação entre desenvolvimento humano e produtividade/redução de perdas econômicas e ambientais. Nesse sentido, programas para jovens e jovens adultos (incluindo educação técnica) serão fortalecidos.

Investimentos em primeira infância deverão também receber um forte impacto positivo durante a década, mas não com a mesma significância dos investimentos em jovens. Já programas para infância e adolescência deverão sofrer cortes mais significativos pelo setor privado e terceiro setor. Isso, principalmente, se novas políticas de educação fundamental forem fortalecidas.
Ao final da década, creio também que investimento para idosos será significativamente incrementado. Isso principalmente na redução dos custos de saúde causados por quedas e problemas crônicos oriundos de práticas e estilo de vida não saudáveis.

No campo do marco regulatório, fora as causas de maior visibilidade (como cultura e esporte – principalmente durante essa década), não vejo qualquer iniciativa para mudança em leis de incentivo fiscal na próxima década. Sei que temos alguns movimentos e debates nesse sentido, mas parece-me que o governo não irá olhar além do “próprio umbigo”, como buscar mais recursos para financiar seu próprio sistema social (ex. ressuscitar a CPMF).

Para capacitação de recursos humanos em gestão estratégica de transformação social, vejo sérias limitações e necessidades. O trabalho especializado na área social vem criando limitações para uma atuação estratégica mais ampla. Por exemplo, precisamos de mais administradores com conceitos de sociologia e mais antropólogos incorporando conceitos econômicos. Teorias sociais e econômicas precisam ser revisitadas para que os estudantes, formadores de opinião e profissionais não se sintam apenas parte de um grupo ou outro do conhecimento.

Na área social, precisamos de mais eficácia nos conceitos e teorias sociais e mais humanidade nos conceitos econômicos e da administração. A tendência é que os avanços nesse sentido sejam ainda muito restritos no Brasil. Ainda atuamos em uma realidade de influência da escola européia por um lado (mais humanizada) e da escola estado-unidense (mais pragmática) do desenvolvimento. Uma terceira via poderia representar finalmente a independência dos teóricos brasileiros, buscando ainda na prática os fundamentos empíricos que justificam as teorias. Infelizmente, ainda se busca na teoria o fundamento ideológico para justificar uma prática.

Esse tipo de capacitação contribuiria de maneira significativa para que as intervenções sociais se tornassem mais estratégicas, com entendimento claro da realidade a partir do uso de técnicas de pesquisa operacional, desenvolvimento de planos de ação em base a necessidades e demandas, sistematização de práticas e análises de impacto. Creio que as organizações estão buscando mais ferramentas que possam auxiliá-las nesse sentido. No entanto, apenas uma “elite” institucional (incluindo na esfera do governo) absorve integralmente essas técnicas e procedimentos de gestão social. A maioria ainda continua sofrendo com a necessidade de fazer qualquer coisa pela sobrevivência organizacional. Não consigo enxergar também mudanças significativas nesse caso.

Isso terá sérias implicações também na capacidade de avaliação dos programas e intervenções sociais. A tendência é que os processos avaliativos sejam incrementados nos próximos anos. A sociedade busca informações sobre impactos de diversas maneiras e as instituições sociais já necessitam da avaliação para garantir o fluxo de investimentos junto a diversas partes interessadas. No entanto, mesmo com uma demanda, cada vez mais evidente, não há nem mesmo uma oferta clara de metodologias e técnicas de avaliação que possam demonstrar o nível de custo-eficácia das intervenções. O que poderíamos dizer no nível de custo-eficácia e equidade?

Finalmente, em relação às causas, está claro que os próximos cinco anos, teremos um foco muito grande em cultura e esporte. Poucos países tiveram a oportunidade de em tão pouco tempo sediar uma copa do mundo e olimpíadas. Além disso, o Brasil tem um turismo pouco explorado e começa a se tornar o país da moda. A busca por novos talentos e oportunidade de explorar a visibilidade de marcas e do próprio país, faz com que o esporte e a cultura se tornem ganchos importantes para novas causas.

A educação ainda não será a prioridade para o país durante a década. Alguns ajustes devem ocorrer como melhoria da qualidade da educação infantil, fortalecimento da educação técnica (como mencionado anteriormente), abertura de cursos em tempo integral, etc. No entanto, nada que faça da causa educação uma prioridade absoluta para o país.

A tendência também é que a saúde primária ainda não se torne uma causa prioritária. Apenas para alguns programas com foco em doenças específicas, haverá uma mobilização mais ampla da sociedade. Sendo assim, a promoção de saúde ainda ficará restrita a campanhas pontuais com resultados limitados para a redução das causas externas e doenças crônicas. Como acontece já em países como o Canadá, o marketing social para a mudança de conhecimentos, atitudes e práticas em saúde pública deveria ser considerado uma prioridade absoluta para reverter a significativas perdas do sistema com estilos de vida adversos. Porém, no caso brasileiro nessa próxima década, não podemos falar nem em tendências, quanto mais em projeções, pois seria uma fácil fonte de decepção e quebra de expectativas em relação ao nosso desenvolvimento humano.

 

Miguel Fontes, Diretor da John Snow Brasil e PhD em Desenvolvimento de Alianças Público Privadas, Deptº de Saúde Internacional, Johns Hopkins University – SAIS

Artigo publicado no Forum de Marketing Social do Brasil www.marketingsocial.com.br

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A síndrome do camaleão social: novos conceitos camuflando velhas práticas sociais

por John Snow em Jan.10, 2011, Categoria investimento social privado

Uma variedade de conceitos e termos sociais tem sido amplamente utilizada por diversas organizações do país. Novas expressões parecem estar na moda e figuram no discurso de políticos, empresários e ativistas sociais. Para enumerar algumas, cito: sustentabilidade, tecnologia social, investimento social privado, responsabilidade social empresarial, capital social, parceirização, redes sociais, marketing social, mercado social, cidadania empresarial estratégica e avaliação de impacto social. No entanto, me pergunto: qual seria a diferença desses conceitos para outros que parecem ter caído no desuso, como: auto-sustentação, filantropia empresarial, avaliação de resultados, doação, contratação, promoção social e projeto social? O que todos esses novos termos na área social, tão popularizados, significam na prática?

No meu modesto entender, observando as ações sociais realizadas no mercado social brasileiro, a diferença é praticamente nenhuma. Me parece que se trata apenas do uso de termos mais modernos para justificar a continuidade de velhas práticas. Infelizmente, isso parece ser uma herança da nossa cultura, seja na vida social quanto na política.

Vejamos, por exemplo, o caso do conceito de tecnologia social, que eu mesmo defini em meu livro de marketing social em 2001. Minha intenção em conceber este termo foi nomear o resultado tangível da sistematização de práticas sociais em seus aspectos gerencial, metodológico e avaliativo para sua reaplicação de forma ampla. Assim, um projeto social se tornaria um possível protótipo de tecnologia social, mas somente depois de seu impacto ter sido demonstrado. Enquanto não for devidamente sistematizado e “empacotado” para reaplicação, um projeto simplesmente não pode ser considerado uma tecnologia social.

No entanto, a grande maioria das instituições sociais no Brasil apenas modificou a nomenclatura de seus projetos sociais para defini-los como tecnologia social. Observando um dos principias bancos de “tecnologias sociais” de uma grande fundação brasileira, por exemplo, verifica-se que as tecnologias sociais, conforme conceito concebido em 2001, são na verdade protótipos de tecnologias limpas ou ambientais, ou projetos sociais apenas com um novo status. Não consigo encontrar os aspectos gerenciais e avaliativos dessas iniciativas. Também não vejo onde e como está sendo feita a sua sistematização. Por fim, temo não terem sido devidamente empacotadas para uma reaplicação ampla que possa fortalecer as políticas públicas do país. Talvez em alguns casos sim, mas em muitos outros, não.

A questão sobre sustentabilidade é ainda mais sensível. Muitos atores confundem sustentabilidade com auto-sustentação. Por exemplo, diversas ONGs têm criado formas de geração de receita extra com a venda de produtos e serviços ou até mesmo utilizando estratégias de vendas de projetos e chamam isto de estratégias de sustentabilidade institucional. No entanto, quais são os valores e transformações, de forma tangível, que podem demonstrar as riquezas sócio-econômicas geradas para a sociedade? Qual é sua contribuição concreta para a sustentabilidade local, regional ou nacional? Não há qualquer problema em se pensar na auto-sustentação de uma organização social. No entanto, a falta de entendimento do principal objetivo organizacional em base a um conceito de sustentabilidade equivocado pode fazer com que uma estratégia meio se torne efetivamente a motivação fim dessas importantes instituições.

Não tenho dúvidas de que a sustentabilidade possa ser fomentada a partir do resgate de capital social de crianças em situação de rua, da melhoria do estilo de vida de trabalhadores e trabalhadoras, da adoção dos valores do esporte e cidadania, da cura e redução de casos de doenças, entre tantas outras formas de garantir que o país consiga sustentar seu crescimento e desenvolvimento. Essa tendência é ainda mais importante no Brasil, onde estamos passando por três revoluções sócio-ambientais sem precedentes: a transição climática, a transição demográfica e a transição epidemiológica. Tenho certeza de que se a prática dos atores sociais refletisse uma nova base conceitual consolidada, incorporando os termos de marketing social, tecnologia social, avaliação de impacto social e investimento social, entre outros, estaríamos definitivamente melhor preparados para enfrentar essas mudanças significativas em nossa sociedade e país. No entanto, se apenas utilizamos termos e conceitos inovadores para, na verdade, justificar velhas práticas na área social, seria mais adequado resgatar de vez os velhos conceitos. Seria, no mínimo, uma forma de não camuflar a realidade.

* Artigo publicado em www.cuidardofuturo.org.br

Miguel Barbosa Fontes – Diretor da John Snow Brasil e PhD em Desenvolvimento de Alianças Público Privadas para causas sociais, Deptº de Saúde Internacional, Johns Hopkins University – SAIS

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E-book de Miguel Fontes é lançado pela Livraria Cultura

por John Snow em Ago.26, 2010, Categoria John Snow Brasil

O livro Marketing Social – novos paradigmas, da autoria de Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil, acaba de ser lançado no formato de e-book pela Livraria Cultura.  O documento pode ser acessado no link da Livraria Cultura.

Boa leitura!

livro MF

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Avaliação de programas de Investimento Social Privado

por John Snow em Abr.13, 2010, Categoria Avaliação de Impacto, John Snow Brasil, Miguel Fontes

Por Miguel Fontes*

Na dia 09 de abril, participei da mesa sobre Avaliação do Congresso do GIFE no Rio de Janeiro. Primeiramente, devo parabenizar aos organizadores do Congresso pela coragem em manter o evento mesmo com as catástrofes amplamente divulgadas pela mídia em minha cidade natal. Com isso, os organizadores fizeram com que todos os participantes pudessem refletir sobre a verdadeira aplicabilidade de todos os esforços de investimento social privado no Brasil. Ou seja, como é importante a educação, a transparência na utilização dos recursos públicos, na erradicação da pobreza e na transformação dos conhecimentos, atitudes e práticas anti-sociais de toda a sociedade. Enfim, senti-me honrado em participar desse corajoso evento e contribuir de alguma forma para o fortalecimento das tendências positivas em relação a gestão social no Brasil.

Em relação ao tema de avaliação, pudemos constatar o grande interesse de todo o público sobre o tema. A sala reservada para o debate foi pequena para tantas pessoas que queriam de alguma forma absorver novos conhecimentos e reflexões sobre avaliação.

 Houve um esforço dos organizadores de apresentar o tema como algo que deve ser disseminado e ajustado a diversas realidades do investimento social privado no Brasil. Algumas das “provocações” feitas pelos organizadores, como “não ficar refém de processos avaliativos complexos”, pareciam buscar alternativas mais fáceis e baratas do uso de conceitos e ferramentas avaliativas no Brasil. No entanto, talvez tive que trazer alguns elementos que contestam um pouco essa hipótese. Processos avaliativos necessitam de competência técnica, um certo nível de ciência, aplicação e destreza na utilização de ferramentas avaliativas validadas internacionalmente (ex. Marco Lógico, escala de valores, pré-testes, modelos de análise estatística, definição de indicadores, etc.) e observância dos preceitos éticos (beneficência, não-maleficência, justiça e livre consentimento). Nesse sentido, somos sim todos um pouco “reféns” da linguagem avaliativa. Caso contrário, as intervenções podem cair em total descrédito e vistas pelo empresariado como apenas um fardo ou custo para as empresas.

 No entanto, o processo avaliativo deve ser encarado como um dos componentes essenciais de gestão social e não o componente mais importante. Aliás, o padrão internacional indica um valor orçamentário de 10% dos programas para avaliação. Ou seja, é um valor proporcional muito baixo e ninguém tentaria tirar a maior parte do recurso da implementação de programas e atividades para focar apenas no processo avaliativo. Na minha experiência profissional, esse valor pode variar de 7 a 14% do orçamento final do programa. Logicamente, outros componentes essenciais seriam o planejamento estratégico, o monitoramento, a execução e a administração financeira dos investimentos. Todos esses componentes necessitam de destreza e competência para que as intervenções obtenham grande sucesso. Por que no caso da avaliação isso seria diferente?

* Miguel Fontes é diretor da John Snow Brasil e PhD em Desenvolvimento de Alianças Público Privadas pela John Hopkins University. Colunista do Forum Brasileiro de Marketing Social www.marketingsocial.com.br

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John Snow Brasil no GIFE

por John Snow em Abr.09, 2010, Categoria Avaliação de Impacto

Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil, foi palestrante no 6 Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado. Miguel participou da mesa temática sobre avaliação de impacto de projetos que teve como objetivo ressaltar metodologias e práticas de avaliação inovadoras, no contexto da realidade dos investimentos sociais privados realizados no Brasil. Confira a cobertura do evento em http://www.congressogife.org.br/

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O Real Valor das Pontes de Cidadania

por John Snow em Abr.05, 2010, Categoria Avaliação de Impacto

“A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento”
Lenine

Em todo o mundo, investimentos em infra-estrutura, principalmente pública, são analisados sob a ótica do seu retorno econômico e social. Isso porque muitos desses empreendimentos contribuem para geração de riquezas para a sociedade e país, sem necessariamente serem auto-suficientes. Sendo assim, não precisam de fluxo de caixa ou a criação de entidades específicas para a coleta de recursos financeiros.

Para compreender melhor esse enfoque, faz-se necessário explicitar a diferença entre  retorno financeiro e econômico de novos investimentos. Por exemplo, qual o valor econômico da construção de uma nova ponte? Sabemos que a ponte reduz distâncias e melhora o fluxo humano entre duas localidades com algum tipo de interferência natural entre elas, como rios e acidentes geográficos.

Logicamente, não faria sentido pensar na auto-sustetação financeira de todas as pontes do planeta. Caso contrário teríamos que criar algum mecanismo de coleta financeira, como seriam no caso do pedágio. No entanto, diferentemente da lógica financeira, a ponte atinge sustentabilidade quando conseguimos atribuir valores econômicos e sociais para sua existência. No caso de valor econômico, o mais importante seria o uso mais eficiente de recursos, como diminuição de uso de combustíveis e maior produtividade na produção e comercialização de produtos.

Não há nenhum investimento em infra-estrutura sério que não faça um estudo de valoração e de seus ganhos econômicos. No caso das pontes, não é diferente. Ou seja, somente a existência da ponte já torna o empreendimento sustentável sob a ótica econômica. Sendo assim, diversos empreendimentos que não poderiam ser considerados viáveis pela ótica do retorno financeiros, atingem sustentabilidade econômica.

Esses empreendimentos também podem ser muito importante para o fortalecimento de redes sociais e redução da pobreza. Novamente, no caso das pontes, populações isoladas poderão te acesso a novos bens e serviços públicos. Além disso, o intercâmbio educacional pode ser aprimorado contribuindo para o desenvolvimento humano e comunidades mais equitativas.

Como funciona a geração de riquezas econômicas no caso dos programas sociais?

Esse raciocínio não é diferente para o caso dos programas sociais. Muitos pensam que a sustentabilidade de um programa social, como promoção da redução da violência entre jovens, é atingida com o financiamento contínuo de doadores diversos. Com certeza, o recursos financeiro é muito importante para alavancar um programa social, mas seria inviável taxar os jovens de programas sociais para atingir a auto-sustentação.

Basicamente, programas sociais podem ser considerados PONTES para a cidadania. Com a mudança de conhecimento, atitudes e práticas sociais de jovens em relação a violência, teremos uma sociedade mais produtiva, com reflexos na renda familiar e redução das perdas humanas e do patrimônio público. Isso além de criar condições para o fortalecimento do capital social ou redes humanas transformadoras.

Em Brasília, um estudo de avaliação de impacto social realizado pela JohnSnowBrasil Consultoria e financiado pela Caixa Seguros em colaboração com o Grupo Azulim e Mismec demonstrou que para cada R$1,00 investido no programa Jovem de Expressão (com objetivo de reduzir a violência entre jovens), projetou-se a geração de renda econômica de R$1,87 em valores presentes. Essa projeção tomou como base a constatação de que um jovem menos violento é efetivamente mais produtivo e gera mais renda para sua família e comunidade.

 Esse mesmo raciocínio pode ser ampliado para programas com idosos, mulheres vítimas de violência doméstica, melhoria das condições de ensino, etc. Ou seja, social não é somente custo, nem gasto, é um grande investimento.

Uma das principais dificuldades para a valoração de programas sociais é exatamente aplicar esses conceitos de forma objetiva e concreta e apresentá-los para a sociedade. Como alguns desses conceitos necessitam de modelos de pesquisa comportamental, análises estatísticas e aferições econômicas e sociais, muitos programas não estão preparados para aplicá-los. Sendo assim, tornam-se reféns do dados de produção, como o cálculo de número de usuários, satisfação, etc.

Tomando novamente a analogia da ponte, seria como apresentar para a sociedade que temos uma linda PONTE com fluxo considerável de usuários, mas sem a demonstração efetiva de como esse fluxo contribui efetivamente para a geração das riquezas econômicas e diminuição das diferenças sociais. As organizações sociais têm que se preparar, cada vez mais, para a demonstração de como gerão essas riquezas para a socidade. Isso em função do capital financeiro estar em ciclos mais especulativos do que de investimentos.

 Artigo de Miguel Fontes, Publicado no Fórum de Marketing Social www.marketingsocial.com.br

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Avaliação de projetos cresce, mas precisa de qualificação

por John Snow em Mar.22, 2010, Categoria Avaliação de Impacto

Matéria publicada na Rede Gife,  22 de março de 2010

Causou surpresa, na última semana, uma pesquisa da Fundação Itaú Social com o Instituto Fonte que traçou um panorama da avaliação de projetos nas organizações sociais no Brasil. Segundo o estudo, 91% das organizações avaliaram projetos nos últimos cinco anos, sendo que 26% destas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto.

Elaborado em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e a realização do IBOPE Inteligência, o levantamento mostrou uma mudança de comportamento das organizações. Afinal, há pouco menos de dez anos, esse percentual era ínfimo.

Para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, o estudo revela que houve uma mudança de paradigma. “No passado, realizar a ação social bastava, não se dava importância em avaliar os resultados de seus próprios projetos. Isso mudou”, diz.

A imagem otimista também transparece para profissionais do Instituto Fonte, como Daniel Brandão, um dos responsáveis pela pesquisa. “Ela mostrou que nos últimos anos, a avaliação saiu do debate e foi para a prática”, acredita.

No entanto, Brandão lembra que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. Quando os dados são esmiuçados, mostra-se que, desses 91% que avaliaram, 85% fizeram esse trabalho internamente. Apenas 22% delegaram a tarefa a equipes externas à organização – isto é, a pessoas não relacionadas com as ações a serem analisadas.

Na mesma linha, os dados sobre a motivação mostram que ainda há espaço para amadurecimento. Apenas 26% das ONGs ouvidas encaram a avaliação como ferramenta estratégica no planejamento e aprendizagem do próprio projeto; 33% delas veem a iniciativa como ferramenta de promoção de seus projetos, 18% como obrigação formal e burocrática e 23% como desperdício de tempo e de recursos.

Segundo Daniel Brandão, estes dados mostram os pontos de intervenção a serem atingidos. “Atuar para fortalecer o sentido e a utilidade da avaliação junto a essas organizações é fundamental para ampliar a potência desta atividade na gestão estratégica do campo social”, afirma.

Faz sentido, se avaliar é estratégico ao apoiar a gestão e a tomada de decisões, ajudar a corrigir rumos, identificar erros e acertos, verificar a realização de objetivos, mostrar resultados no público do projeto e gerar credibilidade, tratá-la como mero instrumento burocrático é incorrer em um erro dramático.

Para Antonio Matias, o fortalecimento da cultura de avaliação no Brasil é essencial para que as avaliações sejam usadas como instrumentos de gestão e possam aprimorar os investimentos sociais. É também uma forma de dar transparência e eficiência ao uso dos recursos.  “Quanto mais avaliarmos as políticas e os programas sociais de organizações privadas, ONGs e governos, melhor preparados estaremos para enfrentar adequadamente os desafios sociais do país”, afirma.

Os principais desafios apontados pelos que avaliam projetos são, nessa ordem, a construção de indicadores, o envolvimento dos públicos do projeto na avaliação, o desenvolvimento de instrumentos, a coleta de informações, a análise dos resultados e a captação de recursos.
Abrangência nacional

A pesquisa teve abrangência nacional, sendo representativa do universo das organizações da sociedade civil brasileira. Foram realizadas 363 entrevistas eletrônicas no período de julho a setembro de 2009. Os resultados ponderados mostram a seguinte representação geográfica: 53 % da Região Sudeste; 21% da Região Sul; 14% da Região Nordeste; 8% da Região Centro Oeste e 4% da Região Norte.

Com relação ao tipo de atuação observa-se que 58% das organizações atuam somente com a execução de projetos, 40% com execução e financiamento e 2% somente com
financiamento.

A íntegra da pesquisa está disponível nos sites www.fundacaoitausocial.org.br e www.institutofonte.org.br

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